Banca Examinadora
(titulares)
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Prof. Dr. Manoel Leonardo Wanderley Duarte Santos - Orientad (DCP/UFMG) Profa. Drª. Mercedes García Montero (USAL - Videoconferência) Prof. Dr. Asbel Bohigues Garcia (UV - Videoconferência) Prof. Dr. Wagner Pralon Mancuso (USP - Videoconferência) Prof. Dr. Marcello Fragano Baird (ESPM - Videoconferência) |
Resumo |
Esta tese investiga por que alguns países da América Latina promoveram mudanças recentes
na regulação da segurança privada, enquanto outros mantiveram o status quo regulatório, apesar
da atuação dos grupos de interesse do setor. A partir de uma análise comparativa entre Brasil,
Argentina, Paraguai e Uruguai, a pesquisa analisa os principais atores e interesses envolvidos
nas disputas regulatórias e reconstrói os processos políticos de tentativa de mudança da
regulação da segurança privada em cada país. A pesquisa parte de três hipóteses: i) redes de
políticas coesas são condição necessária para a mudança regulatória, enquanto redes
conflituosas favorecem a permanência do status quo; ii) sistemas políticos com menor número
de pontos de decisão e de veto players são mais suscetíveis à aprovação de mudanças
regulatórias; e iii) reivindicações de mudanças mais restritas tendem a ser politicamente mais
viáveis do que propostas de mudanças mais drásticas. O argumento central defendido é que os
diferentes resultados dos processos políticos são explicados pela combinação entre três fatores:
o grau de coesão ou conflito das redes de atores interessados, as características institucionais
que estruturam o processo decisório e o tipo de mudança regulatória reivindicada.
Metodologicamente, a tese combina o process tracing comparativo e a Análise Qualitativa
Comparativa (QCA), com base na triangulação de técnicas de pesquisa e fontes de dados. Os
dados empíricos incluem 26 entrevistas semiestruturadas com atores-chave envolvidos nas
disputas regulatórias e a análise de um amplo conjunto de documentos produzidos por grupos
de interesse, órgãos governamentais e legislativos, além de matérias jornalísticas sobre os
processos de mudança da regulação da segurança privada nos países analisados. Os resultados
mostram que a mudança regulatória ocorre quando há baixos níveis de conflito entre os
principais grupos de interesse e quando as reivindicações se concentram em mudanças de
escopo mais restrito, mesmo em contextos institucionais caracterizados por múltiplos pontos de
veto. Por outro lado, a permanência do status quo regulatório é explicada pela combinação entre
conflitos no interior da comunidade política da segurança privada e arranjos institucionais mais
complexos e fragmentados, nos quais a presença de múltiplos veto players eleva os custos
políticos da mudança e reforça vieses que favorecem a estabilidade regulatória. |
Palavras-chave |
América Latina, grupos de interesse, políticas públicas, regulação, segurança privada |