Resumo |
Esta tese é composta por três artigos que investigam as dinâmicas da polarização
afetiva no Brasil contemporâneo, com ênfase nas suas conexões com a ideologia, religião e
compromisso com princípios democráticos. No primeiro capítulo, analisa-se a relação entre
polarização afetiva e ideologia ao longo de seis eleições presidenciais (entre os anos de 2002 e
2022). Os resultados indicam que, embora a polarização afetiva tenha se tornado mais
associada a posições ideológicas principalmente a partir de 2018 , sua sustenção em
bases programáticas permanece limitada, concentrando-se principalmente na dimensão dos
costumes. No segundo capítulo, a atenção dirige-se ao papel da identidade evangélica e à
frequência a cultos na intensificação da polarização pró-Bolsonaro. Utilizando dados do
ESEB 2022, o capítulo revela que a identidade evangélica está fortemente associada a padrões
afetivos alinhados à direita, e que a frequência semanal a cultos potencializa esse efeito. No
terceiro capítulo, finalmente, investiga-se se a polarização afetiva se associa com menores
níveis de compromisso democrático de forma simétrica entre petistas e bolsonarista s. A
análise dos dados de 2018 e 2022 revela uma assimetria clara: enquanto a polarização entre
bolsonaristas está associada a uma maior tolerância a líderes autoritários, rechaço à
representação partidária e apoio a medidas golpistas, esse padrão não se repete entre eleitores
de Lula. Ao articular teorias internacionais da polarização a evidências empíricas inéditas
sobre o caso brasileiro, a tese contribui para o entendimento das formas pelas quais
identidades políticas intensas podem impactar a democracia em contextos de fraco
partidarismo e alta personalização da disputa política. |