Resumo |
O domínio espacial consolidou-se como arena estratégica indispensável à projeção de poder no Sistema Internacional contemporâneo, mas uma arquitetura internacional de controle tecnológico impõe barreiras severas ao desenvolvimento endógeno, perpetuando hierarquias entre potências estabelecidas e aspirantes. A partir disso, esta dissertação investiga as condições sob as quais potências emergentes desenvolvem capacidades espaciais de defesa autônomas. A pesquisa mobiliza duas vertentes da tradição realista das Relações Internacionais para formular hipóteses concorrentes sobre os determinantes dessa autonomia. A hipótese estruturalista propõe que rivalidades interestatais constituem condição necessária e suficiente para obtenção das capacidades espaciais, enquanto a hipótese neoclássica propõe que pressões sistêmicas requerem condições domésticas específicas para serem traduzidas em capacidades concretas. A estratégia metodológica empregada é a Análise Qualitativa Comparativa em sua variante fuzzy-set, aplicada a 25 potências espaciais emergentes entre 1957 e 2025. Os resultados revelam que rivalidade interestatal e capacidade industrial de defesa operam como caminhos funcionalmente equivalentes para autonomia espacial. A contribuição empírica mais expressiva emerge da análise desagregada por componente do resultado, que demonstra ser a rivalidade condição perfeitamente necessária para capacidade de lançamento, com consistência de 1,000, padrão que não se replica para as dimensões de construção e operação de satélites. Este achado dialoga com o nexo nuclear-espacial, uma vez que a tecnologia de veículos lançadores é funcionalmente equivalente à de mísseis balísticos intercontinentais. A pesquisa conclui que o Realismo Estrutural captura a lógica que governa o desenvolvimento da dimensão mais sensível da autonomia espacial, enquanto o Realismo Neoclássico oferece enquadramento mais adequado para compreender as demais dimensões, nas quais caminhos alternativos que prescindem de rivalidade intensa são empiricamente observados. |
Palavras-chave |
Análise Qualitativa Comparativa, Autonomia tecnológica., Poder espacial, Potências emergentes, Realismo |