Resumo |
A presente pesquisa diz respeito ao desenvolvimento da diplomacia cultural brasileira, criada pelo governo de Getúlio Vargas (1930-1945), e como a rede de intelectuais vinculados ao Estado varguista influenciaram, com suas ideias e empreendimentos políticos, essa política durante o período (1934-1945). Com este intuito, o trabalho visa discutir e elucidar quais ideias condicionaram a criação e desenvolvimento da diplomacia cultural brasileira na Era Vargas, e como elas se apresentaram enquanto política externa cultural. Baseado em teorias construtivistas de Estado, o trabalho investiga como a diplomacia cultural brasileira se comportou como um mosaico identitário: em meio a disputas de ideias sobre a identidade nacional entre intelectuais de diferentes ideologias cooptados pelos departamentos culturais do governo Vargas, a política externa precisava adotar uma identidade baseada aos interesses do novo Estado que se consolidava no país e no mundo. Dessa maneira, o trabalho baseou-se na hipótese de que as novas interpretações sobre a identidade nacional brasileira feitas pelos intelectuais modernistas foram selecionadas e priorizadas pelo governo Vargas frente as outras ideias em disputa no mosaico identitário, uma vez que o projeto varguista de modernização nacional tinha como objetivo promover a imagem de uma nova brasilidade ao exterior através de uma nova política cultural ao exterior. Visto que a diplomacia cultural pode ser entendida como um recurso da política externa que medeia a identidade nacional e busca concretizar os interesses do Estado a partir desta mediação, pode-se afirmar que políticas culturais internacionais são feitas a partir de uma relação Estado-sociedade, na qual, nesse caso, consiste no vínculo entre o corpo burocrático estatal e atores da sociedade civil (intelectuais, artistas, críticos e produtores culturais). Para investigação da hipótese apresentada, a metodologia da pesquisa foi feita a partir da Análise de Conteúdo, baseando-se em uma revisão bibliográfica de produções acadêmicas relativas ao tema, além de documentos como fotos, cartazes e periódicos da época relativos à diplomacia cultural brasileira. Logo, a pesquisa buscou demonstrar de que maneira ideias e redes de sociabilidade política podem ser frutos de análise para compreender a formação da diplomacia cultural na política externa brasileira e sua efetivação no exterior. |