Aluno |
Simone de Almeida Ramos |
Orientador |
Marlise Miriam de Matos Almeida |
Título da tese |
Neoconservadorismo e patriarcado corporativo-eleitoral na participação das mulheres de centro e de direita nas eleições brasileiras de 2024 |
Área de concentração |
Ciência Política |
Linha de Pesquisa |
Teorias da Justiça, Feminismo e Pensamento Político Brasileiro |
Data da defesa |
28/07/2026 |
Banca Examinadora (titulares) |
Profa. Drª. Marlise Miriam de Matos Almeida - Orientadora (DCP/UFMG) Prof. Dr. Juarez Rocha Guimarães - Coorientador (DCP/UFMG) Profa. Drª. Céli Regina Jardim Pinto (UFRGS) Prof. Dr. Cristiano dos Santos Rodrigues (DCP/UFMG) Profa. Drª. Ana Paula Salej Gomes (FJP) |
Resumo |
O objetivo da presente tese é analisar como o neoconservadorismo, enquanto instrumento do patriarcado, age como mecanismo corporativista de sustentação da reserva masculina de poder (Matos, 2020 p.110-140; Matos, 2026), tendo por recorte a atuação política das mulheres candidatas a prefeitas em capitais, especialmente no campo do centro e da direita brasileira, nas eleições do ano de 2024. Procuramos investigar como a interação entre o avanço da direita e extrema-direita, o neoconservadorismo e o antifeminismo favoreceram uma agenda de retrocessos sociais, de violência social e política generalizada além de fomentar intolerância e a polarização. Ao longo da pesquisa, contudo, ao observar campanhas de candidatas de esquerda, reconheci padrões semelhantes de exclusão sistemática no acesso das mulheres aos cargos eletivos. Isso pode significar que, para além das forças conservadoras que fomentam a extrema-direita, outros poderes fáticos atuam na obstaculização da presença das mulheres no âmbito político, sobretudo quando se trata de representação política no Legislativo e no Executivo. Portanto, inicialmente, a amostra da pesquisa restringiu-se às campanhas eleitorais das mulheres de centro e de direita. Contudo, ao detectar que, para além das forças conservadoras, outros quesitos pesavam contra o efetivo êxito das mulheres nas corridas eleitorais, fez-se necessário ampliar o estudo para o espectro da esquerda ainda que de maneira breve. A hipótese era de que o neoconservadorismo político - enquanto manifestação de identidade cultural das extremas-direitas contemporâneas pode ser ferramenta para dificultar, regredir ou impedir a conquista, preservação e a fruição dos direitos das mulheres e demais grupos subalternizados. A verificação ratificou a hipótese: há correlação entre a presença do neoconservadorismo partidário e a agenda de restrição, exclusão e negação de direitos - especialmente das mulheres -, que a direita e a extrema-direita vêm tentando impetrar neste primeiro quarto de século. No entanto, para além de tal conclusão, outras duas percepções relevantes emergiram da investigação: a primeira indica que, em que pese a força do neoconservadorismo, essa peculiaridade não é o principal impedimento ao êxito das candidaturas (e presenças efetivas) de mulheres no campo da política, tanto que, entre as mulheres da direita e da extrema-direita, não houve constrangimento em ter sua imagem associada àquela de mentores explicitamente misóginos. A segunda percepção aponta que, para além do uso das matrizes conservadoras na composição das campanhas e das trajetórias das mulheres, enquanto candidatas de centro e direita, o corporativismo político masculino é uma coerção muito mais vigorosa, como fator de obstrução da plenitude e da conquista das mulheres no âmbito eleitoral inclusive no campo da esquerda. |
Palavras-chave |
corporativismo masculino na política., extrema-direita, mulheres na política brasileira, neoconservadorismo brasileiro, reserva masculina de poder |
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