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Detalhes da tese

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Aluno
João Paulo Dellasta do Nascimento
Orientador
Manoel Leonardo Wanderley Duarte Santos
Título da tese
A batalha pelos beneficiários: como os programas sociais moldam a lealdade eleitoral e transformam a política presidencial na América Latina
Área de concentração
Ciência Política
Linha de Pesquisa
Instituições Políticas e Política Internacional
Data da defesa
29/07/2026
Banca Examinadora
(titulares)
Prof. Dr. Manoel Leonardo Wanderley Duarte Santos - Orientad (DCP/UFMG)
Prof. Dr. Frederico Batista Pereira - Coorientador (UNCC)
Prof. Dr. Cesar Zucco Junior (Fundação Getúlio Vargas)
Prof. Dr. Danilo Buscatto Medeiros (DCP/UFMG)
Prof. Dr. Sérgio Simoni Junior (USP)
Prof. Dr. Valdemar Pinho Neto (FGV)
Resumo
Esta tese investiga em que condições programas de transferência de renda condicionada (TRC) geram dividendos eleitorais e quando governos conseguem apropriar-se politicamente de políticas sociais criadas por adversários. Embora a literatura demonstre que benefícios sociais influenciam o comportamento eleitoral, ainda se sabe pouco sobre os mecanismos que produzem lealdades duradouras e sobre os limites da apropriação política de programas consolidados. O argumento central é que as TRCs podem gerar simultaneamente efeitos eleitorais de curto prazo, favoráveis aos governantes responsáveis pela distribuição ou ampliação dos benefícios, e efeitos de longo prazo, que beneficiam os autores originais da política por meio da construção de marcas partidárias duradouras (party branding) associadas à propriedade de temas politicamente relevantes (issue ownership). A hipótese principal sustenta que programas caracterizados por regras rígidas de implementação, elevada visibilidade política e forte associação com seus criadores tendem a produzir vínculos eleitorais duradouros entre beneficiários e grupos políticos específicos. Em contextos de baixa estruturação ideológica, esses vínculos tornam-se resistentes a tentativas de rebranding promovidas por adversários, permitindo que os dividendos eleitorais persistam mesmo após alternâncias de poder. Para testar essa hipótese, a pesquisa adota uma estratégia multimétodo. Em primeiro lugar, desenvolve uma classificação original dos programas de transferência de renda da América Latina por meio de uma análise qualitativa comparativa de cinco países Brasil, México, Guatemala, Honduras e Costa Rica identificando as condições institucionais e políticas associadas à geração de dividendos eleitorais. Em seguida, analisa dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB) entre 2010 e 2022 para examinar a relação entre ser beneficiário do Bolsa Família e o apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT). Por fim, realiza uma análise quase-experimental utilizando dados agregados no nível de urna das eleições presidenciais de 2018 e 2022, combinando resultados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral com registros administrativos do Bolsa Família e do Auxílio Brasil.bOs resultados confirmam a coexistência de efeitos eleitorais de curto e longo prazo. Beneficiários históricos do Bolsa Família mantiveram maior probabilidade de votar no PT mesmo após o partido deixar a Presidência da República, evidenciando a persistência de vínculos políticos construídos ao longo do tempo. Em contraste, o Auxílio Brasil produziu ganhos eleitorais concentrados entre novos beneficiários, especialmente em localidades com baixa cobertura prévia do programa e em contextos politicamente competitivos. Os achados demonstram que a expansão de benefícios pode gerar retornos eleitorais imediatos, mas também revelam os limites da apropriação de políticas fortemente associadas a adversários. Conclui-se que políticas distributivas programáticas podem funcionar como atalhos cognitivos capazes de produzir identidades políticas duradouras e influenciar a competição presidencial mesmo após mudanças de governo.
Palavras-chave
América Latina, Auxílio Brasil., Bolsa Família, Comportamento eleitoral, Eleições presidenciais, Identificação partidária, Issue ownership, Party branding, Programas de transferência de renda cond
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