A PARTICIPAÇÃO DOS GOVERNOS SUBNACIONAIS NA RECONSTRUÇÃO E DESENVOLVIMENTO PÓS-CONFLITO DA ÁFRICA SUBSAARIANA
Área de concentração
Ciência Política
Linha de Pesquisa
Instituições Políticas e Política Internacional
Data da defesa
30/06/2026
Banca Examinadora
(titulares)
Profa. Drª. Márcia Miranda Soares - Orientadora (DCP/UFMG) Prof. Dr. Igor Castellano da Silva (UFSM) Profa. Drª. Camila Santos Andrade (IPATC) Prof. Dr. Manoel Leonardo Wanderley Duarte Santos (DCP/UFMG) Prof. Dr. José Ângelo Machado (DCP/UFMG)
Resumo
A tese teve como objetivo analisar a participação dos governos subnacionais nos processos de reconstrução e desenvolvimento pós-conflito da África subsaariana, investigando se a descentralização e a consequente apropriação local constituíram fatores determinantes e explicativos para a consolidação da paz no período de 2010 a 2015. Essa tese é motivada pelo debate contemporâneo sobre o sucesso da reconstrução pós-conflito e a crescente valorização da governança local. Buscou responder se a descentralização territorial é uma condição para a consolidação da paz e explorar que outros fatores podem contribuir para esse propósito. A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma abordagem comparativa, combinando análises qualitativas e estudos de casos. Em uma primeira etapa, a análise qualitativa permitiu testar a relação entre descentralização e consolidação da paz em países africanos afetados pelos conflitos civis e a partir disso selecionar o Benim, a Nigéria, o Senegal e a República Centro-africana como casos ilustrativos dessa relação para análise aprofundada. Em seguida, os estudos de casos foram conduzidos com foco no enfrentamento das causas profundas dos conflitos, usando o PIB per capita, a união e coesão nacional e a boa governança como variáveis explicativas da consolidação da paz. Os resultados obtidos com o QCA mostraram que a descentralização não constitui uma condição necessária para o sucesso da reconstrução e desenvolvimento pós-conflito. Embora a inclusão dos governos subnacionais possa contribuir para a reconstrução, especialmente por aproximarem o Estado das populações locais, ampliarem a participação e favorecerem respostas territorialmente adaptadas. Os resultados dos estudos de caso apontam que o enfrentamento das causas profundas dos conflitos são relevantes para a consolidação da paz. Conclui-se que governos subnacionais devem ser compreendidos não como variável isolada ou automaticamente positiva, mas como parte de uma configuração mais ampla cujos resultados dependem do desenvolvimento e do fortalecimento efetivo dos pilares socioeconômicos e políticos do país afetado.
Palavras-chave
África Subsaariana., Consolidação da Paz, Descentralização, Governos subnacionais, Reconstrução pós-conflito