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Detalhes da tese

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Aluno
Carla Beatriz Rosário dos Santos
Orientador
Leonardo Avritzer
Título da tese
DEMOCRACIAS EM SOCIEDADES DE FORMAÇÃO ESCRAVISTA: Como a Democracia Produz Hierarquias Raciais nas Américas
Área de concentração
Ciência Política
Linha de Pesquisa
Participação, Movimentos Sociais e Inovações Democráticas
Data da defesa
29/07/2026
Banca Examinadora
(titulares)
Prof. Dr. Leonardo Avritzer - Orientador (DCP/UFMG)
Prof. Dr. Cristiano dos Santos Rodrigues (DCP/UFMG)
Prof. Dr. Eduardo Moreira da Silva (UFES)
Prof. Dr. Valter Roberto Silvério (UFSCar)
Profa. Dr. Viviane Gonçalves Freitas (UFLA)
Resumo
Esta tese analisa comparativamente como dezesseis democracias das Américas, constituídas em sociedades de formação escravista, reproduzem hierarquias raciais por meio de mecanismos institucionais contemporâneos. O ponto de partida é um deslocamento conceitual: as hierarquias raciais persistentes nessas democracias não são resíduos de um passado que a modernização institucional ainda não superou, mas efeitos do funcionamento atual das próprias instituições democráticas. A escravidão transatlântica é tratada como condição formativa, que moldou os arranjos sobre os quais as democracias foram construídas, e não como causa retroativa que operaria mecanicamente sobre o presente. A tese se organiza em quatro movimentos articulados. O movimento histórico-comparativo mostra que as transições pós-abolicionistas nas Américas não foram rupturas com a ordem racial anterior, mas reorganizações institucionais que assumiram formas nacionais distintas. O movimento conceitual examina por que a teoria democrática hegemônica não conseguiu nomear esse funcionamento, mostrando que o universalismo formal de Dahl, Schumpeter, Habermas e O'Donnell opera como dispositivo de invisibilização da linha de cor que estrutura as democracias que analisa. O movimento explicativo propõe a gramática negra da política como chave analítica situada, construída a partir do pensamento social negro das Américas, e a formaliza em modelo explicativo com hipóteses testáveis. O movimento empírico operacionaliza esse modelo por meio do Índice de Funcionamento Racial da Democracia (IFRD), instrumento original desta pesquisa, e o confronta com evidência comparada via regressão linear exploratória e Qualitative Comparative Analysis (QCA). Os achados empíricos identificam dois caminhos causais distintos: o bom funcionamento racial das democracias requer a ausência de desigualdade estrutural como condição invariante, padrão que cobre os casos de EUA e Canadá; o mau funcionamento ancora-se na intensidade da formação escravista, configuração que cobre o Brasil. Três casos, México, Colômbia e Equador, permanecem fora das soluções, indicando trajetórias de equifinalidade não capturadas pelo modelo. A tese conclui que a qualidade democrática, tal como operacionalizada pela literatura dominante, é conceitualmente insuficiente para capturar o funcionamento racial das democracias pós-escravistas, e propõe o IFRD como contribuição empírica e teórica para reorientar essa agenda.
Palavras-chave
Américas, democracia, formação escravista, hierarquias raciais, IFRD., QCA
Tese no formato PDF
 
Ata no formato PDF
 

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