GÊNERO, IDEOLOGIA E GASTOS MUNICIPAIS: O Efeito de Eleger uma Prefeita de Esquerda versus de Direita no Brasil
Área de concentração
Ciência Política
Linha de Pesquisa
Comportamento Político e Opinião Pública
Data da defesa
30/06/2026
Banca Examinadora
(titulares)
Prof. Dr. Thiago Moreira da Silva - Orientador (DCP/UFMG) Prof. Dr. Cristiano dos Santos Rodrigues (DCP/UFMG) Profa. Drª. Débora Thomé Costa (IDP)
Resumo
Quais são as consequências de eleger uma prefeita para a alocação orçamentária municipal, e em que medida a ideologia modera esse efeito? Respondemos a essa pergunta no contexto dos municípios brasileiros, onde prefeitos e prefeitas detêm de ampla autonomia sobre o orçamento. A partir de dados municipais entre 2002 e 2019, utilizamos o Desenho de Regressão Descontínua (RDD) em disputas decididas por margem estreita de votos entre um candidato e uma candidata para lidar com a endogeneidade da candidatura feminina às características do município. Para testar se o efeito do gênero varia conforme a orientação ideológica, estimamos o RDD separadamente para prefeitas de esquerda e de direita, seguindo o estimador de heterogeneidade proposto por Calonico et al. (2025). Em contraste com a maior parte da literatura descritiva sobre liderança feminina no Brasil, encontramos evidências limitadas de que o gênero molda a composição orçamentária. Embora prefeitas gastem menos em Transporte, não encontramos efeito sobre Saúde, Educação ou Assistência Social, funções tipicamente associadas à gestão feminina. A estratificação por ideologia revela diferenças entre os grupos, mas sem seguir o padrão teórico esperado. Em conjunto, os achados sugerem que as diferenças documentadas na literatura descritiva refletem, em grande medida, viés de seleção, e que gênero e ideologia exercem influência causal limitada sobre as escolhas alocativas dos gestores municipais.
Palavras-chave
gênero, ideologia, orçamento municipal, política local, regressão descontínua