DO ESTADO À ESCOLA: Efeitos das Capacidades Estatais na Capacidade Docente
Área de concentração
Ciência Política
Linha de Pesquisa
Estado, Gestão e Políticas Públicas
Data da defesa
06/04/2026
Banca Examinadora
(titulares)
Profa. Drª. Natália Guimarães Duarte Sátyro - Orientadora (DCP/UFMG) Prof. Dr. Bruno Lazzarotti Diniz Costa (FJP - Videoconferência) Profa. Drª. Ana Cristina Prado de Oliveira (Unirio - Videoconferência)
Resumo
A busca por desenvolvimento educacional tem destacado o papel do Estado na formulação de
políticas capazes de melhorar o desempenho dos sistemas de ensino, ao mesmo tempo em que
reconhece a centralidade dos professores para a qualidade da educação. Nesse contexto, torna-se
relevante compreender não apenas os atributos individuais dos docentes, mas também os arranjos
políticos que condicionam sua atuação. Diante disso, este estudo investiga a capacidade dos
municípios de promover o desenvolvimento da qualidade do corpo docente, compreendida sob o
conceito de capacidade docente', e derivada a partir da pesquisa sobre Eficácia Escolar. Para isso,
articula-se esse conceito com a literatura sobre capacidades estatais, a partir dos modelos teórico-
analíticos de policy capacity e de arranjos institucionais. Busca-se compreender como as
capacidades analíticas, operacionais e políticas dos municípios geram efeitos sobre as capacidades
docentes, bem como analisar em que medida esses efeitos apresentam interdependência espacial.
Nas estratégias empíricas adotadas, a pesquisa foi estruturada em duas etapas. Primeiramente,
realizou-se uma revisão sistemática da literatura por meio de snowballing com o objetivo de
operacionalizar o conceito de capacidade docente, identificando dimensões e indicadores
observáveis. Em seguida, conduziu-se uma análise quantitativa com base em dados secundários, por
meio da estimação de modelos lineares (OLS) e espaciais (SDM), permitindo captar tanto efeitos
diretos quanto indiretos das capacidades estatais, bem como a presença de dependência espacial
entre municípios. Os resultados indicam que as capacidades analíticas desempenham papel
relevante, com evidências de que a difusão de instrumentos informacionais entre as burocracias
municipais está associada a melhores indicadores de capacidade docente. Em contraste, os efeitos
das capacidades operacionais e políticas mostram-se mais inconsistentes, embora apontem para
aspectos institucionais influentes, como a relevância de as Secretarias Municipais de Educação
controlarem seus próprios recursos orçamentários. Também se observa um efeito negativo
associado à presença de órgãos de controle da sociedade civil, como o Conselho Escolar e o Fórum
Municipal de Educação, sugerindo possíveis limitações na articulação entre esses instrumentos e a
gestão educacional. Os resultados também evidenciam forte dependência espacial das capacidades
estatais, indicando a presença de dinâmicas de difusão e interdependência territorial entre
municípios. Conclui-se que as capacidades estatais influenciam as condições que estruturam a
capacidade docente e se distribuem de forma interdependente no espaço.
Palavras-chave
Análise Espacial, Capacidades Estatais, Política Educacional, Qualidade Docente